domingo, 28 de setembro de 2008

Nunca julgue um filme pelo pôster...

Domingo, um clima gostoso, sol mas com um vento refrescante. Muita luminosidade, sossego, tudo perfeito pra se entrar na piscina e relaxar, mas, de novo a faculdade vem e joga um balde de água fria... Nesse caso, gelada.
Com tantas provas e compromissos, mal consigo colocar meus pensamentos em ordem.
Mas, depois de passar a noite de sexta e o sábado todo estudando (olha só que deprimente), decidi baixar uns filmes pra me distrair.
Entrei no emulinha.
Pra quem não conhece, tá aqui: http://www.emulinha.info/filmes/index.html.
Com ele é possível baixar filmes com ótima qualidade (quando se tem sorte), usando o emule.
Mas essa qualidade, em alguns casos, é somente no quesito gráfico e sonoro, pois com enredo... a coisa complica.
Bem, baixei, entre outros, O Mistério do Triângulo das Bermudas.
Olhei o nome, achei interessante.
Nunca aprendi aquele ditado "não julgue um livro pela capa", altamente adaptável a outros casos, como filmes.
Não observei porque o assunto me interessa. Vi vários documentários na TV e em outros lugares.
O triângulo das bermudas sempre despertou curiosidade em mim, afinal, séculos de mistério e toda aquela história...
Bem, por gostar, olhei o nome lá na lista de filmes e não pensei duas vezes, cliquei pra baixar.
Algum tempo depois, veio o dito cujo e a legenda.
Abri o arquivo.
A qualidade estava ótima. Olhei o tempo de filme e fiquei mais feliz ainda: duas horas e meia. Pensei comigo: "Nossa, todo esse tempo... acho que no final das contas a história tá bem contada, pois com duas horas e meia dá pra ter início, meio e fim... Legal, vamos ver."
Comecei.
Bom, na sinopse dizia que era um filme de ficção meio suspense. De fato, se você assistir os primeiros cinco minutos vai ter essa impressão mesmo.
Começa com um baleeiro oriental e um bote do greenpeace tentando fazê-los parar de caçar uma baleia, que nadava feito o diabo correndo dos japoneses famintos...
O bote chega perto da baleia e fica de frente pro barco dos japoneses (não sei se eram japoneses mesmo, tinham olhos puxados, mas vou colocar assim pra ficar mais fácil...), que atiram o arpão na baleia. Nessa hora, um monte de bolhas sobe da água e parte o baleeiro ao meio. Tudo pega fogo, os japoneses pulam do barco, morrem, aquela coisa toda. O bote é pego também pelas bolhas e todos os manifestantes se afogam, exceto um carinha que vai ser importante mais pro fim. Depois, o carinha começa a ter alucinações e o filme continua, envolvendo mais pessoas...
Mas, o que me chamou atenção é a naturalidade com que os personagens encaram os acontecimentos no filme. Em um momento, tem uma equipe que entra num cargueiro, cuja sala de máquinas está coberta de sangue e restos humanos. O pessoal entra, vê, e começa a conversar no lugar com uma naturalidade espantosa.
Veja bem. Se fosse eu no lugar, no mínimo ficaria enjoado. Mas os personagens, que não são vilões, mas os mocinhos, começam a discutir uma pesquisa, os gastos, tudo ali!
Isso é que é frieza de filme B.
Aliás, uma coisa que notei. Todo filme B os personagens ou são muito duros, ou muito burros ou ainda muito histéricos. Comparemos com outros.
Soldado Universal, com Dolph Lundgren.
O cara quebra tudo, mata todo mundo, bota moral nos outros personagens e isso tudo sem mover um músculo sequer do rosto. Sempre com aquela cara de "nada". Um boneco de cera muito bem armado, marombado e sem noção. Exemplo de cara durão de filme B. Apenas tiro pra todo lado e história zero. Mas, fala a verdade... é muito divertido.
Filme B com caras burros: Cérberus, o Cão do Inferno.
Ok, quem em sã consciência assistiria um filme com esse nome, ainda mais sendo produção original do Sci Fi Channel... Mas eu vi.
Bem, nesse caso, o cara burro é um dos protagonistas que se droga como se não houvesse amanhã (pelo menos foi isso que entendi), deve pra sul-americanos do mal, vai pedir dinheiro emprestado pra irmã, que é uma pesquisadora (e que está tomando conta da espada do Átila, o Huno), e acaba envolvendo ela no rolo todo. Agora vem a pergunta, onde entra o cérberus na história? Bom, os traficantes queriam a espada do Átila, pra dominar o mundo. Nessa, ao pegar o artefato, acabam liberando o cachorro de três cabeças, que vai matar quem estiver com a espada. Tocante, não? Um enredo super envolvente e elaborado, capaz de prender sua atenção por 20 minutos, se não tiver realmente nada pra fazer...
E, exemplo de filme B com gente histérica: A Casa de Cera.
Personagem histérica, fútil e tonta, como a da Paris Hilton. Além de escandalosa, atrapalha tudo e coloca a vida de todos os outros personagens em risco. Ainda bem que não dura muito, morre de um jeito tosco e bem B, como deve ser.
Agora, qual a razão de ter colocado tudo isso? Simples. O Mistério do Triângulo das Bermudas reúne tudo em um único filme!! É fantástico. E mais, o mesmo personagem durão
(protagonista que faz parte da estranha equipe supra citada), que começa como um simples repórter de jornal de quinta e acaba como o salvador do universo, é durão, burro e histérico! Cara, realmente uma proeza... Ele faz cara de bravo, mas nunca entende nada do que tá acontecendo e pra salvar o mundo implora chorando pro pseudo-vilão que, como todo vilão que se preze, entende os motivos do mocinho e desiste de fazer o mal. Tudo muito lógico, claro. Por isso que a sinopse foi bem mentirosa. Ficção com suspense uma ova, é comédia do começo ao fim.
Valeram todas as horas sentadinho na frente do computador. Foi muito melhor do que continuar estudando domingo a fora.
Terminei já era de madrugada, mas nunca mais vou me esquecer.
E agora que não vou prestar atenção mesmo no velho ditado, pois quem sabe não vem outra surpresa dessas?

Pra quem não conhece o filme, vai o link do trailer:
http://www.youtube.com/watch?v=saoCk1EHZFI

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Prelúdio

Sempre, ao iniciar algo, surge a dúvida básica: como começar?
Bem, pra ter menos chance de errar, vou começar de forma simples: escrever apenas o que vier à cabeça. Algumas vezes dá certo. Se bem que... pode também ser desastroso, mas tentarei.

Um dia nublado e frio, feito hoje.
Um rapaz, após uma jornada de trabalho divertida, porém silenciosa e solitária, caminha de volta pra casa, carregando nas costas uma mochila simples, com um livro dentro.
Quieto, instrospectivo, vai andando pelas ruas vazias, ouvindo música e olhando para o chão, perdido em seus pensamentos.
Sente-se como o céu: cinza, incerto, frio, mutável, volátil...
Um fluxo de pensamentos, dos mais variados, passam voando pela sua cabeça, deixando apenas o cansaço e desgaste.
O rapaz anda, apressado.
Quer chegar rapidamente em seu quarto, tomar um banho e comer.
Faminto e com frio, vai deixando pelo caminho todas as lembranças de um expediente incomum, até que resta somente aquela lembrança única, que lhe atormenta incansavelmente.
Todos os pensamentos, ao vê-la chegar, cedem espaço pra que ela preencha todo o íntimo do rapaz e o faça pensar.
O seu objeto de desejo.
Um ser, a seu ver, que mais se aproxima da perfeição, mas que ao mesmo tempo tem mais defeitos que todas as pessoas que conhece. Mas é exatamente essa a mistura. Um equilíbrio delicioso que pode elevar ao prazer e atirar ao inferno do sofrimento.
Um ser que foi capaz de tocar a sua alma e fazê-la desenvolver-se como algo melhor. Um ser que foi capaz de fazê-lo reviver. Um ser que o completou.
Um ser que escorreu por entre seus dedos, feito a branca areia da praia.
Acenda um incenso. Escolha um aroma que lhe agrade. Sinta o prazer que aquilo lhe traz. Tente agarra a fumaça.
Ao lembrar de como foi imprudente, o rapaz se entristece. Uma brisa gelada passa por ele e faz com que se arrepie.
Tenta achar de todas as formas o lugar onde deixou de cultivar preciosa flor. Aquilo que faltou. Aquilo que foi em excesso. Não consegue lembrar de nada. Afinal, não havia tomado todos os cuidados?
Sim, tomou. Tomou todas as precauções.
Sacrificou-se.
Sacrificou tudo aquilo em que acreditava. Derrubou todos os pilares que sustentavam seu mundo, pra liberar espaço, pra investir.
Mudou tudo a sua volta, mas de nada adiantou.
O amado ser se foi, como o vento que leva as flores brancas dos Ipês, deixando a árvore nua, feia, solitária...
No caminho, uma flor cai no ombro do rapaz. Ele a pega, coloca próximo ao nariz e aspira o doce perfume... Efêmero. Delicado.
Olha em volta, procurando o lugar de onde a flor caiu e observa, com espanto, uma enorme árvore, robusta, antiga... Todas as suas flores, que a enfeitavam tanto, estão sendo levadas pelo vento, pra longe. Logo, a poderosa e bela árvore não passará de galhos desnudos, feios e tortuosos.
O rapaz olha, pensativo.
Nesse momento, uma mulher, atingida pelo peso do tempo, para ao seu lado e observa a árvore junto com ele.
Ela sorri e diz, como que para si mesma: "Todas as flores logo irão cair. A bela árvore voltará a ser apenas ela mesma, sem nenhum atrativo. Espero conseguir ver a próxima florada, contemplar esse belo ser coberto de branco e ver novamente as flores serem levadas pelo vento...". Diz e se vai. Caminhando lentamente, apoiada em uma bengala.
O rapaz olha para a mulher. Louca, com certeza. Falando sozinha pela rua. Tão estranha entre os transeuntes...
Mas, não é que tem sabedoria nesse devaneio desproposital?
O rapaz pensa. Conclui por fim que todo o sacrifício valera a pena.
A flor se foi, assim como a areia, mas a árvore permanece, a praia permanece. Existe uma nova possibilidade. Uma oportunidade futura. Uma nova florada.
É doloroso ver o nosso amor partir. É doloroso o vazio que é deixado pra trás. É doloroso ver nosso amor ser feliz com alguém. Mas amar não é desejar a felicidade daquele que amamos?
O rapaz dá uma última olhada na árvore.
No dia seguinte todas as flores já terão deixado seus galhos, mas em sua memória ela continuará bela para sempre.
Em sua memória, todos os bons momentos serão eternizados e as mágoas logo serão esquecidas, levadas pelo vento do tempo.
Em sua memória, o belo sorriso permanecerá fresco, imutável. O doce aroma permanecerá no ar.
O rapaz volta a caminhar. Ao longe, pode ver sua casa, à sua espera.
Uma delicada melancolia o leva de volta ao seu lar.
Uma doce esperança o aguarda no amanhã.
Mas por enquanto, ele apenas caminha...