sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Vôo Livre

- Passarinho, que bela gaiola! - Diz um menino, ao encontrar uma gaiola dourada pendurada em um quarto fechado.
- Obrigado, faz tempo que não recebo visitantes. - Responde o passarinho.
- O que faz trancado aqui? - Pergunta o menino, sentando-se perto da gaiola.
- Não sei, apenas me colocaram aqui, achando que isto seria o melhor para mim.
- Ah, entendi. E você nunca sai?
- Sair? Não posso. Estou trancado nessa gaiola de ouro, que não me pertence, e dela não posso sair.
- Que pena. E como você faz para comer?
- Alguém me traz comida aqui, e água também. Assim, não passo fome.
É muito confortável aqui, sabe? Tenho tudo que preciso e sempre da melhor qualidade. Entretanto, sinto que isto não é suficiente.
- Puxa, e não sabe o que lhe falta. É assim mesmo, quanto mais temos, mais queremos e menos somos felizes. Você se sente infeliz?
- Não. Me sinto sozinho apenas. Canto canções alegres todos os dias, para agradar quem consegue me ouvir. Sou confidente, sempre ouço em silêncio. Mas quando canto algo triste ou fico quieto, somente consigo sentir o vazio, tudo se afasta.
- Já pensou em sair daí à força, passarinho?
- Ah, pensei sim, mas a gaiola está muito alta e me cortaram as asas. Além disso, como eu teria todo este conforto? Acho que a liberdade, no meu caso, tem um preço alto demais.
O menino ficou em silêncio, pensativo. Cada um tem um preço para liberdade. Para o menino, não tem nada demais viver livre, correr por aí e sair desta prisão, mesmo sem asas. Entretanto, o menino tem braços e nunca voou. O passarinho tem apenas as pernas e não sabe se equilibrar direito.
"O que dizer?" - Pensou o menino.
- Olha, eu gostaria muito de te ajudar, passarinho. O que posso fazer?
- Além do que já fez? Já me dou por satisfeito! - e o passarinho deu um pio alegre.
- Mas eu não fiz nada, apenas fiquei aqui paradinho, te ouvindo falar.
O passarinho chegou bem perto das grades e deu uma piscadela com um dos olhos e outro pio alegre.
O menino entendeu.
Seu coração ficou apertado, pensando no que seria daquele passarinho, sozinho a piar todos os dias.
Pensou em tirá-lo dali, mas não teria como dar todo o conforto de que ele necessita. Não seria justo.
A liberdade, cada um entende de um jeito. O que pode ser simples para alguns, para outros é algo impossível, improvável. É justo cobrar por algo que somente você entende daquela maneira?
O menino levantou-se e despediu-se do passarinho, que voltou a piar alegremente.
Saiu do quarto e fechou novamente a porta, deixando-se embalar pela doce melodia.

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