Olá.
Por motivos operacionais (cansaço, preguiça, nervosismo etc) vou adiar o post de hoje.
Entretanto, não vou pular nenhum capítulo e este será postado em breve, assim que eu me instalar.
Boa semana pra quem lê e pra quem não lê também.
Um homem observa a si mesmo. Um homem observa o mundo. Um homem observa os detalhes. Um homem observa e percebe, que no fim nada vê.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
sábado, 6 de agosto de 2011
Reunião de documentos. Guerra de papéis.
Burocracia.
Esse termo significa, em linhas gerais, um sistema de administração pública ou privada em que os assuntos são organizados e tratados por escrito, que dependem também da assinatura de vários funcionários. (Fonte: Dicionário Michaelis).
No nosso dia a dia significa mesmo uma “puta falta de sacanagem” com pessoas que não tem paciência pra lidar com tanta frescura e excesso de formalidade.
Aliás, somos obrigados a lidar com ela desde antes de nascer.
Quando uma mamãe está grávida e o médico prevê a necessidade de fazer uma cesariana ele precisa de uma autorização. Claro que não é só dizer um “sim, eu deixo”, mas exige várias formalidades para isso acontecer, como a realização de exames para verificar a real necessidade, a autorização da mãe, a descrição do procedimento etc etc etc. Por isso eu acho que tem gente que já nasce aos berros.
Desde então, nunca mais nos livramos dela.
Na minha profissão é meu dever lidar diariamente com toda e qualquer forma de Burocracia. Parece masoquismo, mas não faço isso por que quero. Sou obrigado a nadar em um mar de papéis e achar uma solução prática pra um problema, com o menor custo para o cliente e finalizar com um sorriso no rosto.
Particularmente para mim essa última é a parte difícil.
Bem, como eu disse no post anterior a minha contratação se deu em uma situação emergencial. Meu cliente tava precisando de um advogado pra ontem.
Portanto, minha primeira dúvida e desafio foram: é possível um advogado brasileiro advogar em Portugal?
Sim, é possível. Ambos os países tem um acordo de reciprocidade bem antigo onde um profissional daqui pode trabalhar legalmente lá e vice e versa.
Para isso é preciso, entretanto, juntar uma série enorme de documentos para se inscrever lá e se preparar para lidar com a burocracia para obter cada um deles.
Quem estiver interessado, pode ver a lista aqui, mas vai ter que procurar e sentir um pouco da raiva de não achar. To com preguiça: http://www.oa.pt/CD/default.aspx?sidc=31634
Os mais fáceis foram as certidões de nascimento novas, duas delas.
Aqui no Estado de São Paulo nós podemos pedi-las pela internet e o cartório nos manda em casa. Indolor, rápido, pratico e tudo bonitinho.
Mas aqueles que me deram mais trabalho foram o passaporte, a carteira da OAB e uma autorização de um advogado português que cederia seu endereço profissional para eu indicar.
Quem tem passaporte sabe a chatisse que é. Ter que marcar um horário que, dependendo do lugar pode demorar meses para chegar (o meu levou quase um mês), depois levar os documentos, tirar uma foto horrível e assim por diante.
Mas como eu sou muito azarado, o meu teve um pequeno problema.
Durante a checagem de documentos, o funcionário colocou no meu local de nascimento o lugar onde eu moro, mesmo confirmando comigo que eu sou paulistano. E o asno aqui não reparou neste detalhe.
Semanas depois fui buscar o documento, todo feliz, e vejo que estava errado. Naquela hora, na minha cabeça começou a tocar todo o repertório depressivo da Maysa além de bater o desespero, pois a passagem já estava comprada e mudar o horário me custaria uma nota.
Conversando então com a moça que me atendeu neste dia (que estava num mau humor insuportável) perguntei se seria possível a emissão de emergência e ela disse que sim, que em três dias eu poderia ir buscar o novo.
Menos preocupado, fui cobrar da OAB a minha carteira, cuja entrega estava atrasada. Em um post dedicado só a isso vou descrever a odisséia para consegui-la. O importante agora é que o mesmíssimo erro ocorreu. A pessoa que me atendeu errou, eu não notei na hora e só vi quando a carteira e a cédula chegaram.
Neste caso não há possibilidade de pedir emissão de emergência. Para pedir outra eu tenho que peticionar ao presidente da seccional, que terá 30 dias para conceder meu pedido, depois leva mais 90 pra chegar a nova. 120 dias de pura burocracia, ou seja, dá pra eu ir e voltar de PT e a carteira não terá chegado ainda.
Agora eu vou com ela errada mesmo, não tem jeito. Mas como eu sou super sortudo, provavelmente a funcionária portuguesa também vai errar. Então tá tudo certo.
O último foi o mais estranho.
A OAP pede uma fotocópia da autorização de residência no país ou essa autorização do advogado. Mas, para ter uma autorização de residência eu preciso estar inscrito na OAP e comprovar que eu posso trabalhar, ou seja, um paradoxo português dos melhores. Felizmente eles dão esta segunda alternativa.
O advogado português assume uma série de responsabilidades pelo advogado brasileiro, o que torna a procura por um voluntário de boa vontade realmente difícil.
Então, conversando por indicação com um e outro e enviando documentos para comprovar que eu não sou farsante, consegui uma que me desse, gentilmente, essa autorização e se responsabilizasse para receber intimações e comunicados por mim.
No fundo eu concordo com eles, sabe? Se um estrangeiro que eu não conheço ligasse no meu escritório pedindo um favor desses, eu acharia muito estranho e negaria. Mas ela confiou em mim e salvou minha pele.
Haja chocolate pra agradecer. Espero que ela não seja alérgica.
Nesse meio tempo eu falei com pessoas que desligaram o telefone na minha cara, que me chamaram de brasileiro folgado, que ficaram me mandando de um setor pra outro, muitas vezes em cidades diferentes, que me deixaram esperando 40 minutos no interurbano, pessoas que falavam o português mais esquisito que eu já ouvi e que me deixaram no DDI por uma eternidade (desculpe mãe, pela conta de telefone) e também gente que não me conhecia e se virou nos 30 pra me socorrer, mesmo sem ter essa obrigação.
A estes um caloroso muito obrigado. Vocês também fazem parte disso, mas não tenho plantação de cacau em casa. Prometo ser mais original nos presentes.
Depois de tudo isso (são nove documentos que eu tenho que pegar aqui e mais dois lá em PT), com 12 quilos a menos de tanto stress (stress emagrece que é uma beleza, mas faz cair o cabelo), tenho tudo o que eu preciso pra ir.
Acho.
Agora é ficar calmo, estudar um pouco pra estar preparado e fazer as malas.
Estou tão nervoso que nem durmo. Tenho um problema em enfrentar gente que grita comigo a um palmo de distância do meu rosto e sei que alguns portugueses não têm pudores pra dizer o que pensa. Espero que tudo ocorra bem.
O próximo post será menos chato (espero) e também será o último escrito aqui do Brasil. Isso se meu azar tirar férias e permitir.
O título será: Nunca voei. Paranóias e expectativas na chegada.
Pra quem leu desejo um ótimo domingo e ótima semana. Pra quem não leu eu desejo também (um pouco a contragosto, é claro).
Até lá.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Retorno dos mortos, retrospectiva e nova série.
Olá.
Faz realmente muito tempo que não posto nada no blog. Para mim e para quem lê ou leu (existem leitores meus?) esse querido espaço estava morto e sepultado.
Masssss, usando um pouco de necromancia cibernética eu resolvi trazê-lo de volta a vida.
Pra quem acompanha minha vida pessoal desde o começo sabe que muita coisa mudou nesse espaço de tempo. Minha última postagem foi em janeiro de 2009 (o.O). Então é necessário fazer uma pequena atualização pra não deixar quem for ler daqui pra frente perdido no caminho.
Vamos ver...
Em janeiro de 2009 eu estava no meu último ano na faculdade. Aliás, o ano mais complicado de todo o curso, diga-se de passagem.
Estava ansioso, ocupado pensando na minha Tese de Conclusão de Curso, estagiando no Fórum da cidade onde eu morava, preocupado com a prova da OAB que viria logo, namorando, com cabelo faltando, gordo (um demônio) e sem muitas perspectivas.
“Nossa quanta autoestima. E você ainda tinha alguma vontade de viver depois disso?”
Veja bem, não tinha muita alternativa né? Ou a gente vive ou vive. Nesse tempo eu ainda não sabia que tinha forças pra mudar algumas situações na vida que estavam sob meu controle e namorar aliviava um pouco as coisas. Mas isso é tema pra outro post.
Enfim, voltando.
Passou o ano de 2009, eu me formei, tirei nota 10 na TCC que me tirou o sono por meses, não passei na prova da OAB deste ano, continuei no Fórum como conciliador e fiquei no limbo jurídico. Ah, e ainda namorava.
Neste ano eu senti os efeitos de não ter levado a faculdade tão a sério. Nunca fui um aluno exemplar, eram poucas as matérias nas quais eu tirava uma nota boa, eram muitas as matérias nas quais eu me ferrava todo semestre e não era muito querido dos professores.
Mas, antes que alguém solte um sonoro “bem feito”, em minha defesa digo que eu era (e ainda sou) bastante esforçado e tentava compensar isso tudo sentando a bunda na cadeira pra tentar entender as coisas à força.
Então nesse meio tempo eu fiz cursinho pra compensar minhas deficiências, estudei, prestei outro exame e não passei.
Bom, nem preciso dizer o que se passava pela minha cabeça. Ainda no limbo, sem poder atuar profissionalmente, vendo todos os meus colegas de turma com sucesso e eu ficando para trás.
Confesso que não foi nem um pouco fácil. Parece que todos os anos gastos na faculdade foram inúteis.
Estudando feito louco, tive muito apoio da família, amigos e afins. Conheci muita gente legal que sempre me colocou pra cima, me divertiu, me aborreceu e decepcionou, mas que participou.
Conheci um dos lugares que eu mais gosto e que gostaria de voltar pra visitar, que é o Horto Florestal de Rio Claro (recomendo, tá?), fiz coisas que pensei que nunca teria coragem pra fazer, viajei, briguei, perdoei, fui perdoado, ensinei, aprendi... Enfim, vivi intensamente este ano e no final dele, depois de muito tempo e sacrifício veio a recompensa. Passei no famigerado exame e me tornei advogado.
2010 passou e deixou um balanço positivo. As feridas que me foram feitas fecharam e deixaram lições valiosas que vou levar pra vida toda.
Entrou 2011 e minha vida virou de cabeça pra baixo. Saí do Fórum e comecei a trabalhar como advogado. Encontrei clientes por indicação, fiz atendimentos para pessoas que me deixaram pensando em como eu tenho uma vida maravilhosa, briguei (de novo, reparem que eu brigo muito), fui agredido, consegui um emprego, perdi o emprego, viajei e aqui estou escrevendo pra vocês.
Eu atualmente sou advogado, solteiro, com menos cabelo ainda, mas magro (\o/), maduro e com muitas perspectivas e um pouco mais de autoestima.
Claro que tudo não passou de um apanhado beeem superficial e conforme outros posts forem feitos algumas coisas serão abordadas com mais profundidade.
Bom, esse ano ainda me reservou outra surpresa.
Não é novidade pra ninguém que eu desejo continuar meus estudos no exterior, preferencialmente na Europa. Acho que viajar para lá, conviver, estudar e se aperfeiçoar é uma experiência tão rica que quem tiver oportunidade deveria fazê-lo. Então, pensando nisso, decidi deixar meu currículo em sites especializados, na esperança de que algo apareceria.
E não é que apareceu mesmo?
No mês de maio fui contatado por um senhor português super desconfiado que encontrou meu currículo nesse site e que estava precisando de auxílio para este verão, ou seja, de julho até setembro. Naturalmente eu perguntei por que ele não contatou alguém de Portugal, já que esse alguém estaria mais perto dele e, por óbvio, conheceria as leis do país.
Recebi como resposta de que ele havia contratado duas advogadas (da família dele), mas que não estava totalmente satisfeito, pois o problema é relacionado a Direito de Família (minha especialidade) e queria alguém isento e com o currículo que eu apresentava.
Quando a esmola é demais o santo desconfia, né? Meio incrédulo e pensando se tratar de um aproveitador ou psicopata sem noção (neurótico? Só um pouco), eu pedi os dados desse senhor e fui atrás pra ver de quem se tratava. Pra minha surpresa ele pareceu ser uma pessoa idônea e honesta e as duas advogadas que ele mencionou realmente existem e são da família dele.
(Atenção advogados: evitem advogar pra família. Vão por mim, a dor de cabeça é maior que o benefício).
Bem, como prova de boa fé, também disponibilizei algumas informações a meu respeito e referencias, pra ele se pautar.
Neste momento então percebi que a oportunidade não bateu na minha porta. Ela arrombou, deu um tapa na minha cara e gritou “acorrrrrrrrrrdaaaaaaaaaaaaa trouxa! Se você deixar passar essa eu nunca mais apareço”. Então, em atendimento a esse toque tão sutil do destino eu decidi ir.
Entretanto, eu não sou inscrito ainda na Ordem dos Advogados em Portugal. Sem isso, não poderia ajudar meu então cliente. Outra coisa, nunca saí do país e nunca peguei algo tão significativo assim. Portanto, essa viagem ainda vai render boas histórias.
Então, a partir de hoje começa uma série aqui no blog, a primeira desde que ele foi criado.
Contarei com a maior riqueza de detalhes que for possível como será essa empreitada, desde o momento em que eu comecei a me preparar para sair do Brasil (na semana que vêm) até a minha volta. Minhas experiências, impressões, problemas e soluções. Só não esperem um post por dia, pois a finalidade da viagem é trabalhar (uma pena viu).
Leiam, comentem, divulguem, perguntem, me xinguem (estou carente haha) e divirtam-se.
O próximo episódio será: Reunião de documentos. Guerra de papéis. Como foi todo o preparativo de emergência.
Até lá.
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