Olá, depois de longos dias e de muita tribulação finalmente eu estou instalado e com internet.
Já viajei muito, tenho muito material para outros posts e muita coisa pra contar, mas como não quero deixar buracos pelo caminho vou seguir o que prometi e dar continuidade ao cronograma.
Bom, eu nunca tinha voado na minha vida. Sempre gostei de aviões e outros equipamentos com essa finalidade, mas nunca tinha entrado em um.
Então se você nunca teve essa experiência não sabe muito o que esperar da coisa. Uns dizem que parecem ônibus de asas enquanto que há outros que afirmam categoricamente que não há nada igual.
Eu, que sempre fui fã de simuladores de aviões, tinha uma vaga idéia do que esperar, mas mais importante do que isso era o medo do que poderia acontecer.
Eu sou uma pessoa um tanto quanto pessimista e trágica, sabe?
Sempre quando viajava sozinho, eu ficava imaginando se algo acontecesse comigo como seria a reação dos meus pais, meu velório, meu enterro e assim por diante. Até o ponto de chegar a sentir tristeza por mim mesmo (loucura absurda) e ter que controlar a paranóia.
Como ultimamente há tantos desastres aéreos por aí, minha cabeça já começou a viajar longe. Se caísse em terra, eu teria uma morte rápida ou dolorosa? Se caísse no mar e eu fosse o único sobrevivente? Eu não sei nadar muito bem... Eu afundaria junto com a aeronave? E diversas outras perguntas povoavam a minha cabeça.
Então, já que a data em que eu precisaria estar em Portugal estava se aproximando, eu tomei coragem e comprei a passagem.
Me diziam que quanto mais próximo da cauda do avião eu estivesse, minhas chances de sobreviver aumentariam consideravelmente, mas com o custo de balançar a viagem toda.
Então eu decidi que valeria mais a pena sacrificar as chances de sobrevivência por um voo mais confortável, já que passaria horas infindáveis voando. Por isso decidi escolher uma poltrona mais para o meio da aeronave, mas por um acaso do destino (ou não), o meu programa de milhagem me colocou automaticamente na poltrona da janela, da fileira 41. O último assento do avião.
Um sinal? Não soube e decidira ignorar, pelo menos por enquanto, além de trocar por outra no lugar que eu queria, já que ninguém merece cruzar um oceano balançando.
Finda a compra e confirmados os três voos que eu precisaria tomar para chegar em Portugal (três chances, Destino, três chances), fui assistir TV na sala pra passar o tempo.
Os meus canais favoritos são Discovery Channel e NatGeo. Sempre quando eu ligo a TV eu sintonizo nestes primeiro e se não houver nada de interessante eu mudo pra outro.
Entretanto, neste dia em específico eu sintonizei o NatGeo e o programa que estava passando na hora era: “MAYDAY Desastres Aéreos”.
Não era possível. Segundo sinal? Muita coincidência bizarra no mesmo dia.
Assisti ao programa e depois de suar um pouco frio desenvolvi uma imensa simpatia por ele. Não que eu goste de ver desgraça, mas é interessante ver como todos os desastres permitiram que nossos voos fossem seguros hoje e como a maioria dos acidentes foram causados por negligência e não por defeito no aparelho.
Depois de viajar muito na maionese e aprender muitos detalhes da aviação moderna, comecei a pensar em como seria quando eu chegasse em Portugal (se eu chegasse vivo, claro).
Eu sabia que o aeroporto de Lisboa é enorme e sabia que lá teria gente de todo lugar do mundo. Como eu acharia as minhas malas? Será que a imigração me reteria no aeroporto?
A pessoa que iria me buscar estaria realmente lá? Rezei muito pra que ela não levasse aquelas plaquinhas bregas com nomes. Eu voltaria pra dentro do setor de desembarque fingindo desconhecimento.
Além disso tudo, a imagem que eu sempre tive, e que eu acho que muitos ainda tem, é a de um país cheio de gente gordinha, bigoduda, simpática e que come vinho, queijo e bacalhau o dia todo, além de ser dona de padaria.
Isso por que a televisão brasileira nos enche de estereótipos e coloca na nossa cabeça um tipo que geralmente não existe. É o mesmo que pensar que quando se vai pra Alemanha você verá que todo alemão come chucrutes (Sauerkraut) e fala errado, tipo "eu gosto muito desse pãozinha".
Mas ainda assim eu imaginava que no momento em que eu desembarcasse eu veria Pastéis de Belém por todos os cantos, castelos em cada janela e um mundo totalmente novo, com pessoas falando “ora, pois” a cada segundo.
Lendas são muitas né? Pessoas extremamente educadas, simpáticas, prestativas e que adoram brasileiros, carrões “importados” em cada esquina, estradas maravilhosas e de graça, limpeza, bom cheiro, organização, riquezas, sorrisos etc etc etc.
Então o que eu econtraria lá realmente? Se eu pegasse um taxi, seria um Mercedez? Ele teria Pastéis de Belém no porta luvas? O taxista seria gordinho e vestiria uma boina e uma camisa xadrez?
Se eu dirigisse por uma estrada eu realmente me sentiria no céu como as revistas automotivas brasileiras prometem? Eu comeria bacalhau no almoço e jantar? Tomaria vinho no café da manhã?
Voltaria falando "ora, pois"?
De fato, constatei que a maioria dessas impressões é verdadeira, mas isso eu conto mais pra frente.
No próximo post eu vou narrar o que eu realmente encontrei assim que desci em Lisboa e como foi minha ida até a Ordem dos Advogados de Portugal.
Prometo que não vou deixar tanto tempo entre um post e outro. Vou tentar atualizar o máximo que eu puder.
Então bom fim de semana pra quem lê, bom fim de semana pra quem não lê e voem de avião. É bom pra caramba, mas não fiquem logo atrás da turbina como eu fiquei. As chances de você explodir são enormes e é impossível dormir.
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