quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Adiando capítulo

Olá.


Por motivos operacionais (cansaço, preguiça, nervosismo etc) vou adiar o post de hoje.


Entretanto, não vou pular nenhum capítulo e este será postado em breve, assim que eu me instalar.


Boa semana pra quem lê e pra quem não lê também.



sábado, 6 de agosto de 2011

Reunião de documentos. Guerra de papéis.

Burocracia.

Esse termo significa, em linhas gerais, um sistema de administração pública ou privada em que os assuntos são organizados e tratados por escrito, que dependem também da assinatura de vários funcionários. (Fonte: Dicionário Michaelis).

No nosso dia a dia significa mesmo uma “puta falta de sacanagem” com pessoas que não tem paciência pra lidar com tanta frescura e excesso de formalidade.

Aliás, somos obrigados a lidar com ela desde antes de nascer.

Quando uma mamãe está grávida e o médico prevê a necessidade de fazer uma cesariana ele precisa de uma autorização. Claro que não é só dizer um “sim, eu deixo”, mas exige várias formalidades para isso acontecer, como a realização de exames para verificar a real necessidade, a autorização da mãe, a descrição do procedimento etc etc etc. Por isso eu acho que tem gente que já nasce aos berros.

Desde então, nunca mais nos livramos dela.

Na minha profissão é meu dever lidar diariamente com toda e qualquer forma de Burocracia. Parece masoquismo, mas não faço isso por que quero. Sou obrigado a nadar em um mar de papéis e achar uma solução prática pra um problema, com o menor custo para o cliente e finalizar com um sorriso no rosto. 

Particularmente para mim essa última é a parte difícil.

Bem, como eu disse no post anterior a minha contratação se deu em uma situação emergencial. Meu cliente tava precisando de um advogado pra ontem.

Portanto, minha primeira dúvida e desafio foram: é possível um advogado brasileiro advogar em Portugal?

Sim, é possível. Ambos os países tem um acordo de reciprocidade bem antigo onde um profissional daqui pode trabalhar legalmente lá e vice e versa.

Para isso é preciso, entretanto, juntar uma série enorme de documentos para se inscrever lá e se preparar para lidar com a burocracia para obter cada um deles.

Quem estiver interessado, pode ver a lista aqui, mas vai ter que procurar e sentir um pouco da raiva de não achar. To com preguiça: http://www.oa.pt/CD/default.aspx?sidc=31634

Os mais fáceis foram as certidões de nascimento novas, duas delas.

Aqui no Estado de São Paulo nós podemos pedi-las pela internet e o cartório nos manda em casa. Indolor, rápido, pratico e tudo bonitinho.

Mas aqueles que me deram mais trabalho foram o passaporte, a carteira da OAB e uma autorização de um advogado português que cederia seu endereço profissional para eu indicar.

Quem tem passaporte sabe a chatisse que é. Ter que marcar um horário que, dependendo do lugar pode demorar meses para chegar (o meu levou quase um mês), depois levar os documentos, tirar uma foto horrível e assim por diante.

Mas como eu sou muito azarado, o meu teve um pequeno problema.

Durante a checagem de documentos, o funcionário colocou no meu local de nascimento o lugar onde eu moro, mesmo confirmando comigo que eu sou paulistano. E o asno aqui não reparou neste detalhe.

Semanas depois fui buscar o documento, todo feliz, e vejo que estava errado. Naquela hora, na minha cabeça começou a tocar todo o repertório depressivo da Maysa além de bater o desespero, pois a passagem já estava comprada e mudar o horário me custaria uma nota.

Conversando então com a moça que me atendeu neste dia (que estava num mau humor insuportável) perguntei se seria possível a emissão de emergência e ela disse que sim, que em três dias eu poderia ir buscar o novo.

Menos preocupado, fui cobrar da OAB a minha carteira, cuja entrega estava atrasada. Em um post dedicado só a isso vou descrever a odisséia para consegui-la. O importante agora é que o mesmíssimo erro ocorreu. A pessoa que me atendeu errou, eu não notei na hora e só vi quando a carteira e a cédula chegaram.

Neste caso não há possibilidade de pedir emissão de emergência. Para pedir outra eu tenho que peticionar ao presidente da seccional, que terá 30 dias para conceder meu pedido, depois leva mais 90 pra chegar a nova. 120 dias de pura burocracia, ou seja, dá pra eu ir e voltar de PT e a carteira não terá chegado ainda.

Agora eu vou com ela errada mesmo, não tem jeito. Mas como eu sou super sortudo, provavelmente a funcionária portuguesa também vai errar. Então tá tudo certo.

O último foi o mais estranho.

A OAP pede uma fotocópia da autorização de residência no país ou essa autorização do advogado. Mas, para ter uma autorização de residência eu preciso estar inscrito na OAP e comprovar que eu posso trabalhar, ou seja, um paradoxo português dos melhores. Felizmente eles dão esta segunda alternativa.

O advogado português assume uma série de responsabilidades pelo advogado brasileiro, o que torna a procura por um voluntário de boa vontade realmente difícil.

Então, conversando por indicação com um e outro e enviando documentos para comprovar que eu não sou farsante, consegui uma que me desse, gentilmente, essa autorização e se responsabilizasse para receber intimações e comunicados por mim.

No fundo eu concordo com eles, sabe? Se um estrangeiro que eu não conheço ligasse no meu escritório pedindo um favor desses, eu acharia muito estranho e negaria. Mas ela confiou em mim e salvou minha pele.

Haja chocolate pra agradecer. Espero que ela não seja alérgica.

Nesse meio tempo eu falei com pessoas que desligaram o telefone na minha cara, que me chamaram de brasileiro folgado, que ficaram me mandando de um setor pra outro, muitas vezes em cidades diferentes, que me deixaram esperando 40 minutos no interurbano, pessoas que falavam o português mais esquisito que eu já ouvi e que me deixaram no DDI por uma eternidade (desculpe mãe, pela conta de telefone) e também gente que não me conhecia e se virou nos 30 pra me socorrer, mesmo sem ter essa obrigação.

A estes um caloroso muito obrigado. Vocês também fazem parte disso, mas não tenho plantação de cacau em casa. Prometo ser mais original nos presentes.

Depois de tudo isso (são nove documentos que eu tenho que pegar aqui e mais dois lá em PT), com 12 quilos a menos de tanto stress (stress emagrece que é uma beleza, mas faz cair o cabelo), tenho tudo o que eu preciso pra ir.

Acho.

Agora é ficar calmo, estudar um pouco pra estar preparado e fazer as malas.

Estou tão nervoso que nem durmo. Tenho um problema em enfrentar gente que grita comigo a um palmo de distância do meu rosto e sei que alguns portugueses não têm pudores pra dizer o que pensa. Espero que tudo ocorra bem.

O próximo post será menos chato (espero) e também será o último escrito aqui do Brasil. Isso se meu azar tirar férias e permitir.

O título será: Nunca voei. Paranóias e expectativas na chegada.

Pra quem leu desejo um ótimo domingo e ótima semana. Pra quem não leu eu desejo também (um pouco a contragosto, é claro).

Até lá.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Retorno dos mortos, retrospectiva e nova série.

Olá.

Faz realmente muito tempo que não posto nada no blog. Para mim e para quem lê ou leu (existem leitores meus?) esse querido espaço estava morto e sepultado.

Masssss, usando um pouco de necromancia cibernética eu resolvi trazê-lo de volta a vida.

Pra quem acompanha minha vida pessoal desde o começo sabe que muita coisa mudou nesse espaço de tempo. Minha última postagem foi em janeiro de 2009 (o.O). Então é necessário fazer uma pequena atualização pra não deixar quem for ler daqui pra frente perdido no caminho.

Vamos ver...

Em janeiro de 2009 eu estava no meu último ano na faculdade. Aliás, o ano mais complicado de todo o curso, diga-se de passagem.

Estava ansioso, ocupado pensando na minha Tese de Conclusão de Curso, estagiando no Fórum da cidade onde eu morava, preocupado com a prova da OAB que viria logo, namorando, com cabelo faltando, gordo (um demônio) e sem muitas perspectivas.

“Nossa quanta autoestima. E você ainda tinha alguma vontade de viver depois disso?”

Veja bem, não tinha muita alternativa né? Ou a gente vive ou vive. Nesse tempo eu ainda não sabia que tinha forças pra mudar algumas situações na vida que estavam sob meu controle e namorar aliviava um pouco as coisas. Mas isso é tema pra outro post.

Enfim, voltando.

Passou o ano de 2009, eu me formei, tirei nota 10 na TCC que me tirou o sono por meses, não passei na prova da OAB deste ano, continuei no Fórum como conciliador e fiquei no limbo jurídico. Ah, e ainda namorava.

Neste ano eu senti os efeitos de não ter levado a faculdade tão a sério. Nunca fui um aluno exemplar, eram poucas as matérias nas quais eu tirava uma nota boa, eram muitas as matérias nas quais eu me ferrava todo semestre e não era muito querido dos professores.

Mas, antes que alguém solte um sonoro “bem feito”, em minha defesa digo que eu era (e ainda sou) bastante esforçado e tentava compensar isso tudo sentando a bunda na cadeira pra tentar entender as coisas à força.

Então nesse meio tempo eu fiz cursinho pra compensar minhas deficiências, estudei, prestei outro exame e não passei.

Bom, nem preciso dizer o que se passava pela minha cabeça. Ainda no limbo, sem poder atuar profissionalmente, vendo todos os meus colegas de turma com sucesso e eu ficando para trás.

Confesso que não foi nem um pouco fácil. Parece que todos os anos gastos na faculdade foram inúteis.

Estudando feito louco, tive muito apoio da família, amigos e afins. Conheci muita gente legal que sempre me colocou pra cima, me divertiu, me aborreceu e decepcionou, mas que participou.

Conheci um dos lugares que eu mais gosto e que gostaria de voltar pra visitar, que é o Horto Florestal de Rio Claro (recomendo, tá?), fiz coisas que pensei que nunca teria coragem pra fazer, viajei, briguei, perdoei, fui perdoado, ensinei, aprendi... Enfim, vivi intensamente este ano e no final dele, depois de muito tempo e sacrifício veio a recompensa. Passei no famigerado exame e me tornei advogado.

2010 passou e deixou um balanço positivo. As feridas que me foram feitas fecharam e deixaram lições valiosas que vou levar pra vida toda.

Entrou 2011 e minha vida virou de cabeça pra baixo. Saí do Fórum e comecei a trabalhar como advogado. Encontrei clientes por indicação, fiz atendimentos para pessoas que me deixaram pensando em como eu tenho uma vida maravilhosa, briguei (de novo, reparem que eu brigo muito), fui agredido, consegui um emprego, perdi o emprego, viajei e aqui estou escrevendo pra vocês.

Eu atualmente sou advogado, solteiro, com menos cabelo ainda, mas magro (\o/), maduro e com muitas perspectivas e um pouco mais de autoestima.

Claro que tudo não passou de um apanhado beeem superficial e conforme outros posts forem feitos algumas coisas serão abordadas com mais profundidade.

Bom, esse ano ainda me reservou outra surpresa.

Não é novidade pra ninguém que eu desejo continuar meus estudos no exterior, preferencialmente na Europa. Acho que viajar para lá, conviver, estudar e se aperfeiçoar é uma experiência tão rica que quem tiver oportunidade deveria fazê-lo. Então, pensando nisso, decidi deixar meu currículo em sites especializados, na esperança de que algo apareceria.

E não é que apareceu mesmo?

No mês de maio fui contatado por um senhor português super desconfiado que encontrou meu currículo nesse site e que estava precisando de auxílio para este verão, ou seja, de julho até setembro. Naturalmente eu perguntei por que ele não contatou alguém de Portugal, já que esse alguém estaria mais perto dele e, por óbvio, conheceria as leis do país.

Recebi como resposta de que ele havia contratado duas advogadas (da família dele), mas que não estava totalmente satisfeito, pois o problema é relacionado a Direito de Família (minha especialidade) e queria alguém isento e com o currículo que eu apresentava.

Quando a esmola é demais o santo desconfia, né? Meio incrédulo e pensando se tratar de um aproveitador ou psicopata sem noção (neurótico? Só um pouco), eu pedi os dados desse senhor e fui atrás pra ver de quem se tratava. Pra minha surpresa ele pareceu ser uma pessoa idônea e honesta e as duas advogadas que ele mencionou realmente existem e são da família dele.

(Atenção advogados: evitem advogar pra família. Vão por mim, a dor de cabeça é maior que o benefício).

Bem, como prova de boa fé, também disponibilizei algumas informações a meu respeito e referencias, pra ele se pautar.

Neste momento então percebi que a oportunidade não bateu na minha porta. Ela arrombou, deu um tapa na minha cara e gritou “acorrrrrrrrrrdaaaaaaaaaaaaa trouxa! Se você deixar passar essa eu nunca mais apareço”. Então, em atendimento a esse toque tão sutil do destino eu decidi ir.

Entretanto, eu não sou inscrito ainda na Ordem dos Advogados em Portugal. Sem isso, não poderia ajudar meu então cliente. Outra coisa, nunca saí do país e nunca peguei algo tão significativo assim. Portanto, essa viagem ainda vai render boas histórias.

Então, a partir de hoje começa uma série aqui no blog, a primeira desde que ele foi criado.

Contarei com a maior riqueza de detalhes que for possível como será essa empreitada, desde o momento em que eu comecei a me preparar para sair do Brasil (na semana que vêm) até a minha volta. Minhas experiências, impressões, problemas e soluções. Só não esperem um post por dia, pois a finalidade da viagem é trabalhar (uma pena viu).

Leiam, comentem, divulguem, perguntem, me xinguem (estou carente haha) e divirtam-se.

O próximo episódio será: Reunião de documentos. Guerra de papéis. Como foi todo o preparativo de emergência.

Até lá.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Vôo Livre

- Passarinho, que bela gaiola! - Diz um menino, ao encontrar uma gaiola dourada pendurada em um quarto fechado.
- Obrigado, faz tempo que não recebo visitantes. - Responde o passarinho.
- O que faz trancado aqui? - Pergunta o menino, sentando-se perto da gaiola.
- Não sei, apenas me colocaram aqui, achando que isto seria o melhor para mim.
- Ah, entendi. E você nunca sai?
- Sair? Não posso. Estou trancado nessa gaiola de ouro, que não me pertence, e dela não posso sair.
- Que pena. E como você faz para comer?
- Alguém me traz comida aqui, e água também. Assim, não passo fome.
É muito confortável aqui, sabe? Tenho tudo que preciso e sempre da melhor qualidade. Entretanto, sinto que isto não é suficiente.
- Puxa, e não sabe o que lhe falta. É assim mesmo, quanto mais temos, mais queremos e menos somos felizes. Você se sente infeliz?
- Não. Me sinto sozinho apenas. Canto canções alegres todos os dias, para agradar quem consegue me ouvir. Sou confidente, sempre ouço em silêncio. Mas quando canto algo triste ou fico quieto, somente consigo sentir o vazio, tudo se afasta.
- Já pensou em sair daí à força, passarinho?
- Ah, pensei sim, mas a gaiola está muito alta e me cortaram as asas. Além disso, como eu teria todo este conforto? Acho que a liberdade, no meu caso, tem um preço alto demais.
O menino ficou em silêncio, pensativo. Cada um tem um preço para liberdade. Para o menino, não tem nada demais viver livre, correr por aí e sair desta prisão, mesmo sem asas. Entretanto, o menino tem braços e nunca voou. O passarinho tem apenas as pernas e não sabe se equilibrar direito.
"O que dizer?" - Pensou o menino.
- Olha, eu gostaria muito de te ajudar, passarinho. O que posso fazer?
- Além do que já fez? Já me dou por satisfeito! - e o passarinho deu um pio alegre.
- Mas eu não fiz nada, apenas fiquei aqui paradinho, te ouvindo falar.
O passarinho chegou bem perto das grades e deu uma piscadela com um dos olhos e outro pio alegre.
O menino entendeu.
Seu coração ficou apertado, pensando no que seria daquele passarinho, sozinho a piar todos os dias.
Pensou em tirá-lo dali, mas não teria como dar todo o conforto de que ele necessita. Não seria justo.
A liberdade, cada um entende de um jeito. O que pode ser simples para alguns, para outros é algo impossível, improvável. É justo cobrar por algo que somente você entende daquela maneira?
O menino levantou-se e despediu-se do passarinho, que voltou a piar alegremente.
Saiu do quarto e fechou novamente a porta, deixando-se embalar pela doce melodia.

domingo, 28 de setembro de 2008

Nunca julgue um filme pelo pôster...

Domingo, um clima gostoso, sol mas com um vento refrescante. Muita luminosidade, sossego, tudo perfeito pra se entrar na piscina e relaxar, mas, de novo a faculdade vem e joga um balde de água fria... Nesse caso, gelada.
Com tantas provas e compromissos, mal consigo colocar meus pensamentos em ordem.
Mas, depois de passar a noite de sexta e o sábado todo estudando (olha só que deprimente), decidi baixar uns filmes pra me distrair.
Entrei no emulinha.
Pra quem não conhece, tá aqui: http://www.emulinha.info/filmes/index.html.
Com ele é possível baixar filmes com ótima qualidade (quando se tem sorte), usando o emule.
Mas essa qualidade, em alguns casos, é somente no quesito gráfico e sonoro, pois com enredo... a coisa complica.
Bem, baixei, entre outros, O Mistério do Triângulo das Bermudas.
Olhei o nome, achei interessante.
Nunca aprendi aquele ditado "não julgue um livro pela capa", altamente adaptável a outros casos, como filmes.
Não observei porque o assunto me interessa. Vi vários documentários na TV e em outros lugares.
O triângulo das bermudas sempre despertou curiosidade em mim, afinal, séculos de mistério e toda aquela história...
Bem, por gostar, olhei o nome lá na lista de filmes e não pensei duas vezes, cliquei pra baixar.
Algum tempo depois, veio o dito cujo e a legenda.
Abri o arquivo.
A qualidade estava ótima. Olhei o tempo de filme e fiquei mais feliz ainda: duas horas e meia. Pensei comigo: "Nossa, todo esse tempo... acho que no final das contas a história tá bem contada, pois com duas horas e meia dá pra ter início, meio e fim... Legal, vamos ver."
Comecei.
Bom, na sinopse dizia que era um filme de ficção meio suspense. De fato, se você assistir os primeiros cinco minutos vai ter essa impressão mesmo.
Começa com um baleeiro oriental e um bote do greenpeace tentando fazê-los parar de caçar uma baleia, que nadava feito o diabo correndo dos japoneses famintos...
O bote chega perto da baleia e fica de frente pro barco dos japoneses (não sei se eram japoneses mesmo, tinham olhos puxados, mas vou colocar assim pra ficar mais fácil...), que atiram o arpão na baleia. Nessa hora, um monte de bolhas sobe da água e parte o baleeiro ao meio. Tudo pega fogo, os japoneses pulam do barco, morrem, aquela coisa toda. O bote é pego também pelas bolhas e todos os manifestantes se afogam, exceto um carinha que vai ser importante mais pro fim. Depois, o carinha começa a ter alucinações e o filme continua, envolvendo mais pessoas...
Mas, o que me chamou atenção é a naturalidade com que os personagens encaram os acontecimentos no filme. Em um momento, tem uma equipe que entra num cargueiro, cuja sala de máquinas está coberta de sangue e restos humanos. O pessoal entra, vê, e começa a conversar no lugar com uma naturalidade espantosa.
Veja bem. Se fosse eu no lugar, no mínimo ficaria enjoado. Mas os personagens, que não são vilões, mas os mocinhos, começam a discutir uma pesquisa, os gastos, tudo ali!
Isso é que é frieza de filme B.
Aliás, uma coisa que notei. Todo filme B os personagens ou são muito duros, ou muito burros ou ainda muito histéricos. Comparemos com outros.
Soldado Universal, com Dolph Lundgren.
O cara quebra tudo, mata todo mundo, bota moral nos outros personagens e isso tudo sem mover um músculo sequer do rosto. Sempre com aquela cara de "nada". Um boneco de cera muito bem armado, marombado e sem noção. Exemplo de cara durão de filme B. Apenas tiro pra todo lado e história zero. Mas, fala a verdade... é muito divertido.
Filme B com caras burros: Cérberus, o Cão do Inferno.
Ok, quem em sã consciência assistiria um filme com esse nome, ainda mais sendo produção original do Sci Fi Channel... Mas eu vi.
Bem, nesse caso, o cara burro é um dos protagonistas que se droga como se não houvesse amanhã (pelo menos foi isso que entendi), deve pra sul-americanos do mal, vai pedir dinheiro emprestado pra irmã, que é uma pesquisadora (e que está tomando conta da espada do Átila, o Huno), e acaba envolvendo ela no rolo todo. Agora vem a pergunta, onde entra o cérberus na história? Bom, os traficantes queriam a espada do Átila, pra dominar o mundo. Nessa, ao pegar o artefato, acabam liberando o cachorro de três cabeças, que vai matar quem estiver com a espada. Tocante, não? Um enredo super envolvente e elaborado, capaz de prender sua atenção por 20 minutos, se não tiver realmente nada pra fazer...
E, exemplo de filme B com gente histérica: A Casa de Cera.
Personagem histérica, fútil e tonta, como a da Paris Hilton. Além de escandalosa, atrapalha tudo e coloca a vida de todos os outros personagens em risco. Ainda bem que não dura muito, morre de um jeito tosco e bem B, como deve ser.
Agora, qual a razão de ter colocado tudo isso? Simples. O Mistério do Triângulo das Bermudas reúne tudo em um único filme!! É fantástico. E mais, o mesmo personagem durão
(protagonista que faz parte da estranha equipe supra citada), que começa como um simples repórter de jornal de quinta e acaba como o salvador do universo, é durão, burro e histérico! Cara, realmente uma proeza... Ele faz cara de bravo, mas nunca entende nada do que tá acontecendo e pra salvar o mundo implora chorando pro pseudo-vilão que, como todo vilão que se preze, entende os motivos do mocinho e desiste de fazer o mal. Tudo muito lógico, claro. Por isso que a sinopse foi bem mentirosa. Ficção com suspense uma ova, é comédia do começo ao fim.
Valeram todas as horas sentadinho na frente do computador. Foi muito melhor do que continuar estudando domingo a fora.
Terminei já era de madrugada, mas nunca mais vou me esquecer.
E agora que não vou prestar atenção mesmo no velho ditado, pois quem sabe não vem outra surpresa dessas?

Pra quem não conhece o filme, vai o link do trailer:
http://www.youtube.com/watch?v=saoCk1EHZFI

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Prelúdio

Sempre, ao iniciar algo, surge a dúvida básica: como começar?
Bem, pra ter menos chance de errar, vou começar de forma simples: escrever apenas o que vier à cabeça. Algumas vezes dá certo. Se bem que... pode também ser desastroso, mas tentarei.

Um dia nublado e frio, feito hoje.
Um rapaz, após uma jornada de trabalho divertida, porém silenciosa e solitária, caminha de volta pra casa, carregando nas costas uma mochila simples, com um livro dentro.
Quieto, instrospectivo, vai andando pelas ruas vazias, ouvindo música e olhando para o chão, perdido em seus pensamentos.
Sente-se como o céu: cinza, incerto, frio, mutável, volátil...
Um fluxo de pensamentos, dos mais variados, passam voando pela sua cabeça, deixando apenas o cansaço e desgaste.
O rapaz anda, apressado.
Quer chegar rapidamente em seu quarto, tomar um banho e comer.
Faminto e com frio, vai deixando pelo caminho todas as lembranças de um expediente incomum, até que resta somente aquela lembrança única, que lhe atormenta incansavelmente.
Todos os pensamentos, ao vê-la chegar, cedem espaço pra que ela preencha todo o íntimo do rapaz e o faça pensar.
O seu objeto de desejo.
Um ser, a seu ver, que mais se aproxima da perfeição, mas que ao mesmo tempo tem mais defeitos que todas as pessoas que conhece. Mas é exatamente essa a mistura. Um equilíbrio delicioso que pode elevar ao prazer e atirar ao inferno do sofrimento.
Um ser que foi capaz de tocar a sua alma e fazê-la desenvolver-se como algo melhor. Um ser que foi capaz de fazê-lo reviver. Um ser que o completou.
Um ser que escorreu por entre seus dedos, feito a branca areia da praia.
Acenda um incenso. Escolha um aroma que lhe agrade. Sinta o prazer que aquilo lhe traz. Tente agarra a fumaça.
Ao lembrar de como foi imprudente, o rapaz se entristece. Uma brisa gelada passa por ele e faz com que se arrepie.
Tenta achar de todas as formas o lugar onde deixou de cultivar preciosa flor. Aquilo que faltou. Aquilo que foi em excesso. Não consegue lembrar de nada. Afinal, não havia tomado todos os cuidados?
Sim, tomou. Tomou todas as precauções.
Sacrificou-se.
Sacrificou tudo aquilo em que acreditava. Derrubou todos os pilares que sustentavam seu mundo, pra liberar espaço, pra investir.
Mudou tudo a sua volta, mas de nada adiantou.
O amado ser se foi, como o vento que leva as flores brancas dos Ipês, deixando a árvore nua, feia, solitária...
No caminho, uma flor cai no ombro do rapaz. Ele a pega, coloca próximo ao nariz e aspira o doce perfume... Efêmero. Delicado.
Olha em volta, procurando o lugar de onde a flor caiu e observa, com espanto, uma enorme árvore, robusta, antiga... Todas as suas flores, que a enfeitavam tanto, estão sendo levadas pelo vento, pra longe. Logo, a poderosa e bela árvore não passará de galhos desnudos, feios e tortuosos.
O rapaz olha, pensativo.
Nesse momento, uma mulher, atingida pelo peso do tempo, para ao seu lado e observa a árvore junto com ele.
Ela sorri e diz, como que para si mesma: "Todas as flores logo irão cair. A bela árvore voltará a ser apenas ela mesma, sem nenhum atrativo. Espero conseguir ver a próxima florada, contemplar esse belo ser coberto de branco e ver novamente as flores serem levadas pelo vento...". Diz e se vai. Caminhando lentamente, apoiada em uma bengala.
O rapaz olha para a mulher. Louca, com certeza. Falando sozinha pela rua. Tão estranha entre os transeuntes...
Mas, não é que tem sabedoria nesse devaneio desproposital?
O rapaz pensa. Conclui por fim que todo o sacrifício valera a pena.
A flor se foi, assim como a areia, mas a árvore permanece, a praia permanece. Existe uma nova possibilidade. Uma oportunidade futura. Uma nova florada.
É doloroso ver o nosso amor partir. É doloroso o vazio que é deixado pra trás. É doloroso ver nosso amor ser feliz com alguém. Mas amar não é desejar a felicidade daquele que amamos?
O rapaz dá uma última olhada na árvore.
No dia seguinte todas as flores já terão deixado seus galhos, mas em sua memória ela continuará bela para sempre.
Em sua memória, todos os bons momentos serão eternizados e as mágoas logo serão esquecidas, levadas pelo vento do tempo.
Em sua memória, o belo sorriso permanecerá fresco, imutável. O doce aroma permanecerá no ar.
O rapaz volta a caminhar. Ao longe, pode ver sua casa, à sua espera.
Uma delicada melancolia o leva de volta ao seu lar.
Uma doce esperança o aguarda no amanhã.
Mas por enquanto, ele apenas caminha...